Pensando sobre viver e existir
Mais uma semana se passa como qualquer outra, vazia de significado e vivência, vou existindo enquanto os dias passam e eu sequer lembro o que fiz ou o porquê me ausentei da minha vida e da de quem esta a minha volta. Até aqui sinto que disse, disse e não disse, não que vá ser muito diferente no decorrer do texto, a que propósito escrevo esse vômito de palavras que sempre ameaça transbordar quando o que mais quero é silêncio? Agora; você tem a escolha de ler até o fim e descobrir comigo ou debandar e ir fazer algo de mais interesse, talvez pegar aquele livro que você abandonou e trocar essas palavras por um romance, ou aplacar a sede de alguma planta a qual já fazem três dias inteiros desde a última rega, ou até mesmo dar um cochilo muito merecido depois de horas incansáveis as quais você teve a força de existir e viver.
Já que continua aqui, seguimos a programação.
Sempre que escrevo sai algo que me surpreende e me deixa pensando se sou de fato maluca ou tenho apenas a mais normal das psiques, talvez a mais normal não seja tão normal ao passo que todos somos ou temos o potencial de loucura, bem como o de grandeza. Pois bem, não estudo psicologia muito menos filosofia para falar sobre este assunto com afinco, apesar dos meus estudos se encaixarem na área de humanas acho que vai ser mais proveitoso não me delongar no que eu posso ser e onde me encaixar, mas sim focar no que de fato eu percebo ser.
No que diz respeito a minha presença, a física deixa a desejar visto que me encolho e escondo em meu quarto e lar, procurando me poupar de existir no mundo real e encarar as minhas responsabilidade que se amontoam a cada momento que me faço de sonsa. Assim me resta viver no online, porém sinto que não há o que dizer ou viver lá, minhas paixões e obsessões são, em suas medidas, as mesmas, mudando em nuances que interessam apenas a mim e já foram expostas para todos verem. Tais existências se amontoam formando um enorme vazio, se não existo nem aqui nem lá, de fato existo? Certo, eu falei que ia deixar pra lá esse tipo de divagação filosófica, mas é tão tentador pensar na vida, a qual nem vivo. Talvez este seja o principal motivo da minha insônia, o sono não me agracia com seu gentil abraço porque eu não vivi o suficiente para o receber, e então vem o pulo do gato, quando alcanço minha quota e ele me visita eu não quero mais me entregar.
Parando de me delongar, falei isso tudo por ter tirado cartas essa semana (as quais nem lembro mais) que me fizeram repensar sobre meu relacionamento com a procrastinação, a maior culpada de todo vômito de palavras aqui. Chego sempre em conclusões que eu tenho tudo que preciso pra sair desse buraco, sequer estou tão depressiva a ponto de ser uma preocupação e mesmo assim, me afogo no meu vazio. Sinceramente não sei o que pode vir a ser de mim num futuro em que a minha ficha não tenha caído, em que eu continuo relapsa e imóvel, me parece triste e mesmo assim eu me conforto nessa previsão.

